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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Proposta do PAN Almada para criação do Provedor dos Animais aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Almada

Alexandra Correia, Deputada Municipal de Almada do Partido pelos Animais e pela Natureza, em conjunto com o Conselho Local de Almada (PAN Almada), apresentou no dia 25/09/2014 uma proposta de recomendação à Câmara Municipal de Almada com vista à criação da figura do Provedor Municipal dos Animais de Almada já no próximo ano civil.

A proposta, que pretende levar a Câmara Municipal a estudar as condições para que seja criada, em 2015, a figura do Provedor dos Animais no concelho, foi aprovada pela Assembleia Municipal de Almada por unanimidade, podendo este Município tornar-se no segundo do País, depois de Lisboa, a dispor de uma entidade própria capaz de receber reclamações, sugestões, acompanhar situações e intermediar as relações entre a autarquia, os munícipes e o bem-estar dos animais.

Assim, espera-se agora que a Câmara Municipal de Almada desenvolva, ao longo do próximo ano, iniciativas junto das forças partidárias, das associações locais e da sociedade civil, que favoreçam a criação do Provedor Municipal dos Animais de Almada no mais breve espaço de tempo.



Almada, 26 de Setembro de 2014

Secretaria de comunicação
Do Conselho Local de Almada do

Partido pelos Animais e pela Natureza

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Célia Feijão comunicou a sua disponibilidade para assumir a liderança do PAN

Na sequência do comunicado emitido hoje pela Direcção Nacional do PAN referente à demissão dos membros desse órgão, a presidente do PAN Almada, Célia Feijão, comunicou oficial e publicamente a sua disponibilidade para assumir a liderança do partido. 

"Amigos,
situação que se vive actualmente no PAN é lamentável, não há coesão, e a estratégia da actual liderança abre a hipótese de alienar o PAN a outros partidos como o LIVRE, Bloco de Esquerda, PS. A tentação é grande em troca de lugares elegíveis. Mas a que custo? Qual o preço que o PAN terá de pagar para os obter?
O anuncio da demissão da DN é apenas o corolário da desorientação que o partido vive.
Queremos um PAN livre para crescer por si próprio, que não tenha de se tornar refém de forças politicas cujos ideais poderão não convergir totalmente com os nossos.

O PAN não pode ser um partido resumido a efectuar petições, e tem que passar imediatamente da passividade à acção.

O PAN deve deixar à consciência de cada um as questões sociais fracturantes e não se pronunciar acerca desses temas, pois estes devem ser votados de acordo com a consciência de cada um, e não como uma vontade imposta.

O PAN não deve ter ideais religiosos como cenário de fundo, devendo ser laico passível de integrar pessoas de todas as confissões e sensibilidades.

Perante este quadro, venho por este meio anunciar a minha disponibilidade para assumir a liderança do partido, se for essa a vontade dos militantes!

Continuaremos a acompanhar esta questão e pronunciar-nos-emos brevemente mais detalhadamente sobre a visão para o partido.

Abraço,

Célia Feijão
Filiada n.º 12 do PAN
Presidente do Conselho Local de Almada do PAN
Cargos desempenhados no passado:
Secretária Geral do PAN
Comissária Política do PAN
Presidente da Mesa do Congresso do PAN
Coordenadora Geral de Núcleos do Sul do PAN
Membro do Conselho Nacional do PAN"


Por Célia Feijão, Presidente do Conselho Local de Almada do PAN, in FACEBBOK, 15 set. 2014.

sábado, 16 de agosto de 2014

Um pequeno passo não deixa de ser um passo

A Assembleia da República Portuguesa (AR) deu no passado dia 25 de Julho um importante passo na prossecução do bem-estar animal, ao aprovar novas medidas contra os maus-tratos a animais de companhia. Fica só a faltar a promulgação por parte do Presidente da República para na Lei portuguesa passar a constar a criminalização dos maus-tratos a animais de companhia e um novo regime sancionatório, bem como, não menos importante, direitos mais alargados para as associações zoófilas.
Nos últimos dias muito se escreveu e falou sobre o assunto, tendo a própria comunicação social dado, como há muito não se via, a devida e merecida cobertura. Entendi, por isso, que ao invés de focar-me no mérito dos dois projectos-lei que estiveram a votação, seria igualmente interessante tecer algumas considerações sobre um dos argumentos que mais ouvi por parte de quem não concordou, independentemente do motivo, com aquele importante passo: refiro-me ao argumento que sustenta que os deputados não devem “desperdiçar tempo” com este tipo de questões. Faço-o por dois motivos: o primeiro, porque não foram assim tão poucos os que se socorreram daquele argumento para fazer valer o seu ponto de vista. Desde utilizadores registados em sítios de jornais generalistas, muitos dos quais anónimos, até comentadores profissionais, alguns, pasme-se, com formação em Direito, foram vários a fazê-lo. O segundo motivo, para denunciar a má-fé argumentativa que o argumento em si mesmo esconde. Isto porque, há que dizê-lo abertamente, quem dele se serve não está verdadeiramente preocupado com a actividade dos deputados em si mesma, mas sim com o facto do tema “direitos dos animais” merecer cada vez mais consideração à sociedade portuguesa e, consequentemente, ao legislador, também ele cada vez mais sensibilizado e disponível para o tema.
Posto isto e porque o argumento em questão assenta na convicção de que é inaceitável que se coloque um tema “menor” – como o dos animais – à frente de outros ditos “mais importantes” – como seja todo e qualquer assunto relacionado com pessoas – a questão que todo e qualquer cidadão deve colocar a si próprio é se haverá, algum dia, um tempo ideal para que se reconheçam e atribuam direitos aos animais. A pergunta é retórica, só pode ser, pois todos sabemos qual a resposta: nenhuma sociedade, nem mesmo a mais evoluída, conseguirá, em tempo algum, dar-se ao luxo de dizer “agora que resolvemos todos os problemas das pessoas, vamos resolver os dos animais”. Simplesmente não é possível! O que é que isso nos diz? Diz-nos que não pode constituir fundamento moralmente atendível para se negar direitos aos animais o facto de haver direitos a consagrar e fazer cumprir para as pessoas. É bom que fique claro que uma coisa não inviabiliza a outra e que, por conseguinte, nos compete a nós, cidadãos, exigir aos nossos representantes que acompanhem a evolução dos tempos, promovendo aquilo que são as necessidades mas também as exigências das sociedades.
Em suma, o que aconteceu no passado dia 25 na AR, foi, sem sombra de dúvidas, uma vitória para os animais e para Portugal, sendo que há que reconhecer uma vitória quando estamos perante uma. Um passo importante no sentido de uma sociedade mais justa e respeitadora mas que, não nos iludamos, foi apenas o primeiro de muitos passos que ainda faltam dar. O facto de haver quem acredite, em consciência, que os animais não merecem protecção legal até todas as pessoas terem todos os direitos acautelados, os actuais e os que hão-de vir, prova que existe ainda muito trabalho pela frente. E se já assim foi com os animais de companhia, com os quais a generalidade das pessoas tem algum contacto e empatia, como será quando for sobre os restantes animais? Cá estaremos para mudar mentalidades!

André Nunes, vice-presidente do Conselho Local de Almada do PAN in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 16 de agosto de 2014. 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Nem todos os portugueses vivem de pão com chouriço

Chamou-me a atenção o ofício n.º 30160/2014 da Autoridade Tributária (AT), que se tornou mediático pelos títulos que a imprensa lhe deu, acerca da redução – de 23% para 6 % – da Taxa do IVA para pães “com chouriço, nozes, passas ou torresmos locais”.
Ponto prévio n.º1: a aplicação da taxa reduzida de IVA (6%) pretende reflectir, na generalidade dos casos, a classificação de bens e serviços essenciais merecedores de uma certa protecção fiscal.
Ponto prévio n.º 2: À luz das recomendações do Parlamento Europeu e do Conselho, que constam do Regulamento (CE) N.º 1924/2006 – relativo às alegações nutricionais e de saúde sobre os alimentos – reconhece-se a importância de um regime alimentar equilibrado para a manutenção da saúde, admitindo-se que alguns produtos considerados individualmente têm uma importância relativa no contexto do regime alimentar geral e que a presença excessiva no regime alimentar de gorduras saturadas, sal/sódio e açúcares não é recomendada, pelo que esses produtos deverão ser sujeitos à aplicação de taxa normal de IVA (23%, no continente). A recomendação é ainda reforçada por diversas organizações em Portugal, entre elas a Quercus, a Liga Portuguesa Contra o Cancro e a Associação Portuguesa de Diabéticos, que têm recomendado a redução ou erradicação de determinados produtos alimentares da dieta, pelo impacto nefasto na saúde humana.
Ora, em 2012, aquando da entrada em vigor do Orçamento de Estado (OE), muitos bens e serviços aos quais era aplicada a taxa reduzida passaram a estar sujeitos à taxa de 23% no Código do IVA (CIVA). Dois anos volvidos, em Junho de 2014, porém, o ofício supra referido reduz novamente a taxação do IVA para certos produtos, sendo que no caso do pão com chouriço a alteração foi justificada tendo por base a portaria n.º 452/98, de 25 de Julho, – que define e classifica os diferentes tipos de pão e os produtos afins do pão – a qual considera pão especial o pão fabricado com produtos locais, como o chouriço dos fumeiros de Lamego.
A questão que se coloca – e que me suscita enormes dúvidas – prende-se com o saber até que ponto a Autoridade Tributária (AT) pode, com fundamento de se tratar de um género alimentício que contempla produtos locais/regionais, reduzir a taxa de IVA aplicável quando o mesmo se afigura como prejudicial à saúde. Ou seja, em que medida pode a AT privilegiar a difusão de produtos locais/regionais em detrimento da saúde das populações? Quer-me parecer que, no primeiro dos casos, não está a ser acautelada a protecção fiscal que o legislador idealizou, justamente porque o bem que está a tentar proteger – os produtos portugueses – é inferior ao bem saúde, que parece estar a ser relegado para segundo plano. A escolha é tanto mais questionável se se tiver em conta outros exemplos de taxação a 23% de géneros alimentícios reconhecidamente saudáveis, como seja o caso da bebida de aveia – uma bebida vegetal similar às bebidas de soja – também ela saudável e que não goza da mesma taxação das primeiras, numa violação manifesta do princípio da aplicação de taxas em produtos similares.
(..) num país que atravessa uma crise económica com repercussões gravíssimas a médio e longo prazo, não me parece razoável impulsionar o mesmo através de medidas prejudiciais à saúde. Os fins não podem justificar os meios! Tanto mais quando certas escolhas parecem apenas cumprir o propósito de servir alguns lobbies.
A este tempo, é bom relembrar que o agravamento de impostos em bens essenciais em 2012 teve como fundamento o reforço das políticas sociais, pois uma parte da receita adicional gerada pelo IVA passou a ser alocada ao financiamento do Programa de Emergência Social, aumentando os recursos destinados ao auxílio das famílias portuguesas afectadas pela exclusão e carência sociais (Ponto 2.4 – Medidas fiscais para 2012 do OE 2012). Sucede que, mesmo num país que atravessa uma crise económica com repercussões gravíssimas a médio e longo prazo, não me parece razoável impulsionar o mesmo através de medidas prejudiciais à saúde. Os fins não podem justificar os meios! Tanto mais quando certas escolhas parecem apenas cumprir o propósito de servir alguns lobbies. Veja-se, a título de exemplo, o que se passa na indústria leiteira, que conta com diversos subsídios à produção. Como se pode justificar que os produtos lácteos sejam comprados a preços mais baixos que os ‘leites vegetais’?
Assim, para além deste principio regulador não condizente com a promoção da saúde e do bem estar da população, e que por si só contribuem para sobrecarregar o Sistema Nacional de Saúde, verifica-se um revés, na medida em que a redução de taxas servirá apenas alguns produtores, aumentando-se paralelamente a carga fiscal em bens e serviços essenciais, na proporção da directa necessidade de se obter receitas fiscais, com vista a se obter maior disponibilidade para ajudar famílias com carências.
Em suma, por um lado retiram-se condições aos mais desfavorecidos, para que, por outro lado, lhes sejam dadas ‘esmolas’ que apenas lhes permitem sobreviver no limiar da razoabilidade, criando total dependencia da caridade do Estado.
Portugal atravessa um ciclo recessivo bastante complexo sendo a aposta no sector agrícola essencial ao desenvolvimento económico. Contudo no nosso mercado, verifica-se uma concorrência feroz e desigual fruto de alguns lobbies, pelo que as políticas agrícolas de apoio e incentivos à produção de productos locais-regionais-nacionais, devem ser revistas e equitativamente aplicadas.
 Por Célia Feijão, Presidente do Conselho Local de Almada do PAN, in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 21 jul. 2014 

terça-feira, 22 de julho de 2014

Protesto contra tourada em Setúbal | 26-07-2014

Mais um ano, e lamentavelmente repetem-se as sucessivas corridas de toiros em Setúbal. 

Recordamos que a Praça de Toiros 'Carlos Relvas' foi reabilitada com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, canalizando as verbas financeiras que deveriam ter sido atribuídas às Associações de Solidariedade Social e Centros de apoio aos jovens daquele município, para os ajudar nos processos de apoio, de reabilitação e integração social. Eis mais um 'exímio' exemplo de como alguns governantes, que pela via da imoralidade, favorecem os interesses pessoais e de amigos, prejudicando uma facção social, ainda que maioritária mas sem expressividade pela via diplomática. Isto acontece, porque cada vez se criam mais pessoas dependentes do sistema, ou seja, dependentes da sua caridade, sem meios nem recursos para garantir os seus direitos sociais. 
Contudo, o PAN Almada está atento a todas estas acções... 
Consideramos eventos como a tauromaquia cruéis, bárbaros e totalmente inadaptados à época em que se vive, pelo que consideramos urgente formarmo-nos numa sociedade justa, adaptando-a a conceitos morais e éticos. 
Esta forma de exploração primitiva, à custa do sangue de vítimas inocentes para entretenimento do ser humano deve ser abolida, e práticas como esta deverão ser imediatamente substituídas por actividades culturais enriquecedoras e beneméritas para a sociedade.
Este ano a corrida será patrocinada pela empresa ‘Limpersado - Limpeza, Máquinas e Transportes SA’ que pela sua relação associada à tauromaquia, desincentivamos à contratação dos seu serviços.

 Link para o evento no facebook

Os animais necessitam de nós e da nossa voz, pois por si só, nunca conseguirão lutar pelo seu direito à dignidade e à vida!

Pelos animais que irão ser selvática e brutalmente torturados nesta praça de toiros apelamos à tua presença neste protesto simbólico, para que juntos possamos mostrar que a tauromaquia não é, e jamais será, consensual, devendo ser abolida imediatamente.

Em Setúbal, dia 26 Julho às 20h00, os animais contam com a tua presença.

PANabraço,

Clique aqui para visualizar o evento no facebook 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

PAN Almada na Feira das Associações Jovens de Almada (FAJA)

O PAN Almada marcou presença na edição da Feira das Associações Jovens de Almada (FAJA) deste ano, 21 de junho de 2014, através de uma banca institucional e participação com duas acções: Debate “Aproveitamento do potencial ambiental e natural de Almada em benefício da qualidade de vida de todos os seres vivos” e com uma ação de Sensibilização “Alterações climáticas: qual a influência direta que temos e o que poderemos fazer para reduzir o nosso impacto”.

Não obstante as intempéries que forçaram a algumas alterações de logistica, nomeadamente dos espaços previstos para a instalação das bancas e das acções, consideramos que foi uma oportunidade enriquecedora que nos permitiu dar a conhecer o PAN bem como as suas acções.

Uma parte da equipa que tanto trabalhou para tornar este evento possível.
Célia Feijão, André Nunes, Vanessa Furtado, Alexandra Correia e Alexandre Guerreiro

A despertar curiosidade
A nossa banca trabalhou bastante
Participação do PAN Almada na Rádio +XL


Durante o evento demos a provar algumas iguarias vegetarianas da ‘The Love Food’, doces e salgados, que desmistificaram muitos preconceitos.

Iguarias doces
Iguarias salgadas

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Superar a barreira da espécie

O especismo é uma forma de discriminação que se centra na espécie e na convicção de que a espécie humana é mais importante e valiosa do que todas as outras. Trata-se de uma discriminação que, tal como o racismo, que discrimina com base numa etnia, ou o sexismo, que discrimina com base no sexo, evidencia um preconceito injustificável. 
A maior parte das pessoas é especista sem o saber – o próprio termo, apesar de já ter mais de quarenta anos, só agora começa a ser mais difundido – e é normal que assim seja, visto que somos formatados desde pequenos a pensar que o Homem é o centro do universo e que tudo o que existe à sua volta foi pensado e concebido para ser propriedade sua. Não é de estranhar, portanto, que características como a racionalidade ou a proficiência linguística sirvam, simultaneamente, como justificação e factor legitimador da exploração de animais pelo Homem. De resto, é inegável que tais características são uma realidade – embora se saiba hoje que não são exclusivas da espécie humana – sendo que a questão central que se deve colocar é se as mesmas justificam, por si só, a superioridade que o preconceito do especismo comporta. Felizmente são cada vez mais as pessoas que afirmam que não!
A 7 de Julho de 2012, um grupo internacional de neurocientistas, neurofarmacologistas, neurofisiologistas, neuroanatomistas e neurocientistas computacionais cognitivos, entre os quais Stephen Hawking, reuniu-se na Universidade de Cambridge para reavaliar os substratos neurobiológicos da experiência consciente e comportamentos relacionados em animais humanos e não humanos. Da dita reunião resultou uma declaração (a Declaração de Cambridge) que haveria de ficar célebre: “Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos”.
Mas então, como se manifesta o especismo? De várias maneiras, tantas que não é possível enumerá-las a todas nesta sede. Algumas das mais flagrantes resultam de acções do quotidiano, como seja alimentarmo-nos, vestirmo-nos, divertirmo-nos. Desde animais explorados pelo seu corpo e pelo que produzem na alimentação e vestuário, até animais torturados em todo o tipo de testes tendo em vista a obtenção de produtos – grande parte dos quais supérfluos, – passando pela exploração de animais para divertimento dos humanos, como sejam os circos ou os espectáculos tauromáquicos, cada vez mais rejeitados pela população.
Numa época em que a informação está à disposição de um clique e nos chega de forma muito mais rápida, podendo nós próprios fazer a triagem do que queremos ver, ler e ouvir, bastará que tenhamos disponibilidade para questionar o que até aqui temos como garantido para concluirmos pela necessidade de mudança. Isto porque, sabe-se hoje, muito do futuro do planeta e da qualidade de vida passa pela abolição de hábitos especistas, como seja ao nível do consumo de animais, o qual está associado, na produção, ao aumento da poluição e, também assim, ao aumento de doenças, como sejam as cardiovasculares. Ou seja, se não for pelo aspecto moral – o qual condena a exploração dos animais não-humanos por se tratarem de seres sencientes, isto é, seres com capacidade para sentir dor e prazer – que seja pelo aspecto prático, leia-se, pela preservação da saúde humana e do meio ambiente.
Está mais do que provado – o crescente número de pessoas a nível mundial com essas preocupações atesta-o – que é perfeitamente possível viver, em quantidade e qualidade, sem alimentar o especismo, razão pela qual esse deverá ser um objectivo comum à espécie humana. Isto porque, no fundo, somos todos Animais!
Porque enquanto o Ser Humano não adequar comportamentos respeitando outras espécies, não se respeitará a si próprio, e entrará numa espiral de decadência moral e física sem retrocesso para o planeta.

É que afinal, somos todos animais!

Caso o leitor queira aprofundar esta matéria, deixo aqui uma lista de livros e filmes que poderão contribuir para o esclarecimento: 
Livros: “Manifesto dos animais”, Marc Bekoff – editora estrela polar;
“Os animais têm direitos?”, Pedro Galvão – Dinalivro;
“Escritos sobre uma vida ética”, Peter Singer – Dom Quixote;
“Comer para viver”, Joel Fuhrman – Lua de Papel;
“Comer Animais”, Jonathan Safran Foer – Bertrand Editora;
“Libertação Animal”, Peter Singer – Via óptima;
“Jaulas Vazias”, Tom Regan – Editora Lugano

Filmes/Documentários:
“Food Inc.”; 
“Earthlings”;
“Food Matters”;
“A carne é fraca”
 


Eduardo Freitas Araújo, Vogal do Conselho Local de Almada do PAN in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 16 de junho de 2014. 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Comportamento condenável da OMV contra associações e médicos veterinários

As iniciativas desenvolvidas pela Ordem dos Médicos Veterinários contra determinados médicos veterinários e associações que fornecem serviços nesta área deixa várias dúvidas, que procurarei aqui esclarecer, quanto à sua legalidade.
Sucede que, a este respeito, é possível, desde logo, equiparar a actividade destas associações com a de consultórios médicos tradicionais ou mesmo com o de outros profissionais liberais, como as sociedades de advogados. Com efeito, as tabelas de serviços clínicos prestados é definida pela própria entidade que os presta, sem ingerência de terceiros por ter cada um total liberdade para estabelecer os valores (máximos e mínimos) a pagar pelos seus serviços, correndo o risco por sua conta exclusiva.
Paralelamente, importa recordar que, como consequência da adesão de Portugal às Comunidades Europeias, em 1986, e por aplicação do art. 8.º da Constituição da República Portuguesa, o direito comunitário passou a vigorar na nossa ordem interna com primado face ao direito interno. Deste modo, o Tratado de Nice, que instituiu a Comunidade Europeia, estabeleceu a criação de um mercado comum e, com ele, implementou regras comuns a todos os Estados-Membros em matéria de concorrência, destacando-se, nesta matéria, os arts. 81º e 82º do referido Tratado.
Sucede que a Comissão Europeia publicou, em 2004, o Relatório sobre a Concorrência nos Serviços das Profissões Liberais, no qual reconhece que «os serviços das profissões liberais têm um papel importante a desempenhar no reforço da competitividade da economia europeia, uma vez que contribuem para a economia e para a actividade empresarial, tendo assim a sua qualidade e competitividade importantes efeitos secundários».
Entre os principais factores passíveis de restringirem as profissões liberais encontram-se os «preços fixos» e os «preços recomendados», nos quais se incluem os «preços mínimos». Estas práticas, no âmbito do direito comunitário, podem dar origem a coimas por serem prejudiciais para a concorrência, devendo, antes, o preço ser estipulado livremente entre o prestador e o beneficiário. Ou seja, ao querer impedir a livre fixação dos valores correspondentes aos serviços prestados, a acção da OMV acaba por subverter as regras de concorrência vigentes em todos os Estados-Membros da UE.
A título de exemplo, e de acordo com as normas da concorrência da União Europeia, advogados, engenheiros, arquitectos, médicos e outros, na qualidade de profissionais independentes, são, em termos práticos, equiparados a empresas, sendo as respectivas ordens profissionais, como a OMV, equiparadas a associações de empresas. Neste sentido, tenha-se em consideração a posição do Conselho da Concorrência no processo 2/2002.
Deste modo, os médicos veterinários e respectivas entidades onde prestam serviços, bem como a OMV, têm de obedecer às regras da concorrência. Neste sentido, importa ter em consideração a Lei da Concorrência (Lei n.º 19/2012, de 8 de Maio) cujo art. 9.º define que «são proibidos os acordos entre empresas, as práticas concertadas entre empresas e as decisões de associações de empresas que tenham por objecto ou como efeito impedir, falsear ou restringir de forma sensível a concorrência no todo ou em parte do mercado nacional» (n.º 1). Entendeu o legislador que são exemplos deste comportamento, entre outros, a fixação, «de forma directa ou indirecta, os preços de compra ou de venda ou quaisquer outras condições de transacção» (al. a)). Decisões de associações de empresas integradas neste âmbito são «nulos» (n.º 2).
Neste quadro, parece evidente que quaisquer tentativas da OMV para condicionar ou definir, ainda que indirectamente, limites aos valores cobrados por médicos veterinários na prestação dos seus serviços contrariam a lei vigente em território nacional e no continente europeu. Justifica-se, assim, a referência ao comunicado 14/2006 da Autoridade da Concorrência, que condenou a Ordem dos Médicos ao pagamento de uma coima de 250 mil euros por fixação do valor dos honorários como forma de restringir a concorrência, o que levou a própria Ordem a revogar disposições inscritas no Código Deontológico e que justificava como necessárias para «assegurar a dignidade e a qualidade do acto médico», alegando ainda que «a Ordem apenas pretende evitar a concorrência desleal».
A Ordem dos Médicos Veterinários devia aprender com as decisões da Autoridade da Concorrência e abandonar práticas já condenadas por esta entidade e deixar as associações trabalharem em prol do bem de todos os destinatários das suas actividades!
Finalmente, também não se justifica a posição da OMV quando alega que o Estado faz concorrência desleal ao apostar em serviços veterinários municipais. Afinal, se assim fosse, também o Estado estaria a fazer concorrência desleal aos advogados por promover a figura do apoio judiciário – não vingando, uma vez mais, a argumentação da OMV.
Célia Feijão, Presidente do Conselho Local de Almada do PAN in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 21 de maio de 2014. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Para além das fronteiras do óbvio III

Não gostaria de terminar a minha abordagem ao tema da natalidade sem fazer referência à realidade nacional, por ser aquela que nos diz directamente respeito. Ora, depois de no primeiro artigo ter manifestado preocupação com o aumento global da população e de ter lamentado a inexistência de uma política global de natalidade, e depois de no segundo artigo ter feito a ligação entre o aumento da população mundial e os hábitos de consumo, importa por fim perceber se se justifica a solução amplamente difundida do aumento da natalidade como via para combater o envelhecimento do país.
Para o efeito, julgo ser benéfico dividir a questão em dois pontos distintos: o primeiro, sobre qual tem sido a evolução da população em termos quantitativos; o segundo, em saber qual tem sido a evolução da população em termos qualitativos.
Quanto ao primeiro ponto, e de acordo com os resultados definitivos dos Censos de 2011, Portugal tinha, àquela data, 10 562 178 habitantes. Mais 206 061 pessoas do que em 2001, quando habitavam o país 10 356 117.
Contrariamente à ideia muitas vezes passada, continuou a haver crescimento da população. Acontece que esse crescimento foi menor do que o verificado na década anterior, a de noventa. Passou de 5 para 2 por cento, o que se traduz num abrandamento, mas ainda assim num crescimento.
No que diz respeito ao segundo ponto, quanto a saber que tipo de população temos presentemente, é de referir que a percentagem de jovens recuou de 16 para 15 por cento entre os dois censos, ao passo que, em sentido inverso, a percentagem de idosos passou de 16 para 19 por cento, no mesmo período. Tal traduz-se num agravamento do envelhecimento da população, com o rácio entre jovens e idosos a ser de 100 para 128, respectivamente.
É inegável que a população em Portugal está a envelhecer e inegável é também que a população no nosso país continua a aumentar. A questão que se coloca, então, é saber qual a melhor forma de contrariar a primeira tendência, a do envelhecimento do país: se através do aumento da natalidade – com prejuízo para o aumento da população mundial – se através da adopção de políticas globais de natalidade e de migração (contando que eficazes).
Compreensivelmente a questão está longe de ser pacífica e consensual. Ambos os cenários oferecem prós e contras, não sendo nenhum deles totalmente válido nem o outro totalmente inválido. Pessoalmente, e como já deu para entender, inclino-me mais para o segundo cenário.
Faço-o por vários motivos, entre os quais considerar que será sempre mais difícil preservar o planeta – com tudo o que preservar implica – pela via do regrar dos hábitos de consumo e isto não obstante os esforços de optimização de recursos naturais que terão de ser feitos, e também, muito especialmente, por não aceitar que semelhantes nossos sejam privados de oportunidades somente porque nasceram noutras partes do globo. Nesse particular, sou sensível à exposição a que muitas pessoas estão hoje quanto à falta de água e alimento, exposição essa que, como já referi no segundo artigo, tende a aumentar.
Se é verdade que nós, habitantes de Portugal, temos sido privilegiados no que diz respeito aos fenómenos climatéricos, não é menos verdade que temos sentido cada vez mais e, de forma mais frequente, o ambiente a manifestar-se, quer com autênticos dilúvios, quer com incêndios incontroláveis, quer com a destruição da nossa costa, ou seja, fenómenos naturais. Mas não é só. Existe também a parte prática do problema, a qual motiva verdadeiramente a apreensão em torno do envelhecimento da população: é ela a que aponta no sentido do colapso dos sistemas previdenciais por consequente diminuição da população activa.
Acontece que, também nesse particular, o problema seria resolvido com a “captação” de população activa. Sou da opinião que o índice de rejuvenescimento do país, isto é, a diferença entre as pessoas que entram no mercado de trabalho e aquelas que saem, não tem que passar forçosamente pelo aumento da natalidade, podendo passar, à semelhança do que já acontece em alguns países, pela abertura de fronteiras.  
Em suma, julgo que, numa óptica global, temos tanto mais a ganhar enquanto espécie quanto sejamos capazes de optimizar a nossa estadia no planeta. Mais importante do que a quantidade de vidas é a qualidade de vidas e, nesse sentido, é bom não esquecer que existem pessoas que não têm oportunidades nos seus países e que, fruto disso, passam por privações e dificuldades que poderiam ser contornadas se houvesse uma política global ao nível da distribuição da população.

André Nunes, vice-presidente do Conselho Local de Almada do PAN in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 15 de maio de 2014. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Para além das fronteiras do óbvio

Tenho assistido com preocupação à campanha que tem vindo a ser montada em Portugal em torno da natalidade, a qual visa incentivá-la e, consequentemente, combater o envelhecimento do país. Ponto prévio: não se contesta que o país esteja a ficar envelhecido e que, resultado disso, sejam necessárias medidas de revitalização do mesmo. Contesta-se, sim, que a medida escolhida para combater o problema seja através do aumento da natalidade.
Para se perceber o que aqui escrevo é necessário derrubar fronteiras e encarar o problema de um ponto de vista global, isto é, olhando para o planeta como um todo, vendo-o como a nossa única casa. Se o fizermos, chegaremos facilmente à conclusão que o nosso planeta não tem falta de pessoas. Bem pelo contrário. Para que o leitor tenha uma ideia, em 1987 éramos cerca de cinco mil milhões de pessoas, tendo passado em 2011 para sete mil milhões e, tanto quanto é possível prever, em 2050 seremos nove mil milhões, isto tendo por base o último relatório da UNEP (United Nations Environment Programme).
Manifestamente, o nosso planeta começa a não ter capacidade para alojar tanta gente, sendo já vários os sinais que apontam nesse sentido, como sejam zonas do globo com escassez de alimento, as quais são potenciadoras de fome e casos de má nutrição ou, numa outra perspectiva, fenómenos naturais cada vez mais frequentes e severos, e fenómenos sociais cada vez mais graves.
A preferência por políticas de natalidade regionais, ou, se preferirmos, nacionais, em detrimento de uma política global de natalidade, faz com que tenhamos uma visão redutora do problema e não sejamos capazes de estabelecer uma relação directa entre o aumento populacional e a deterioração do planeta e dos seus recursos.
No caso português é manifesto que essa ausência de relação é fortemente condicionada por motivações económicas, designadamente as que resultam da anunciada ruptura da segurança social a médio prazo, e demográficas, com especial destaque para o interior do país – cada vez mais desertificado.
Ora, com as eleições europeias à porta seria desejável que a classe política europeia contribuísse para a promoção de uma política de natalidade global, assente no bem-estar comum e, também assim, mostrasse abertura para receber pessoas de outras partes do globo (quiçá, encontrando uma solução para a imigração ilegal verificada no sul da Europa), dando oportunidades a quem não as tem e claro, desde que observadas certas regras, nomeadamente no respeitante às políticas de emprego.


André Nunes, Vice-presidente do Conselho Local de Almada do PAN in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 8 abril de 2014

segunda-feira, 31 de março de 2014

Espaço do Cidadão em Almada: oportunidades e ameaças

O Secretário de Estado da Modernização Administrativa, Joaquim Cardoso da Costa, anunciou, na passada sexta-feira, a abertura de um Espaço do Cidadão em Almada. Como é sabido, este instituto foi criado pelo Governo para substituir as Lojas do Cidadão. Mas o que trazem de novo estes espaços? Desde logo, devem funcionar em parceria com entidades públicas ou que prestem serviços de natureza pública e não depender exclusivamente do Ministério da Justiça.
Paralelamente, não necessita de um espaço exclusivo de funcionamento que implique o pagamento de rendas elevadas, pretendendo-se que os Espaços do Cidadão funcionem em instalações disponibilizadas pelas entidades referidas em cerca de 20 m2, com postos de atendimento e com um custo estimado de seis mil a sete mil euros. Finalmente, e igualmente importante, os Espaços do Cidadão têm como função garantir a ligação entre os cidadãos e os serviços do Estado através de procedimentos simples e de atendimento digital assistido por funcionários ali colocados para este efeito.
No fundo, pretende-se implantar um maior número de espaços de atendimento ao público que impliquem uma redução de custos de manutenção e que, com o tempo, tenderão a disponibilizar cada vez mais serviços, evitando que as pessoas recorram aos espaços físicos e evitem a info-exclusão ao optarem por soluções digitais.
Desde logo, nas relações com agentes privados que venham a disponibilizar locais para funcionamento dos Espaços do Cidadão, como poderá ser garantida a confidencialidade dos dados dos cidadãos? Simultaneamente, questiona-se se a tendência de evolução deste conceito implicará a formalização de Parcerias Público-Privadas ou 100 por cento privadas que permitam a privados a prestação de serviços desta natureza a bem da «redução de custos». Ademais, importa saber se estes «atalhos institucionais» garantem a mesma qualidade de prestação de serviços que as redes tradicionais: será que a simplificação de procedimentos não corre o risco de abrir caminho à facilitação e à redução do rigor e da excelência necessários quando se prestam serviços como aqueles que se pretendem prestar por via dos Espaços do Cidadão?Para já, o Espaço do Cidadão apresenta inúmeras vantagens ao simplificar a vida do cidadão comum e ampliar o leque de alternativas ao seu dispor, pois está previsto que este sistema funcione de forma complementar à rede tradicional: cabe ao cidadão escolher se pretende deslocar-se pessoalmente ao IMTT ou se prefere aceder ao mesmo serviço em menos tempo e de forma mais simples. O problema é que as Lojas do Cidadão 2.0 não apresentam apenas oportunidades, como as já referidas, mas também ameaças.
Finalmente, as externalidades negativas são evidentes com a evolução do sistema 2.0 para um futuro 3.0 que inclua o encerramento de espaços da rede tradicional: o fecho, por exemplo, de Conservatórias ou de repartições de Finanças implicará, provavelmente, a dispensa de funcionários públicos que ficarão numa situação de desemprego. Quem pagará estes subsídios? Como sobreviverão estes profissionais ainda em idade activa?
Actualmente, os Espaços do Cidadão parecem trazer vantagens para o Estado e para os particulares. No entanto, é fundamental que o Governo e os promotores da simplificação e da redução de custos por via da tecnologia consigam dar resposta a todas estas perguntas.

 Por Célia Feijão, Presidente do Conselho Local de Almada do PAN, in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 31 mar. 2014 

terça-feira, 25 de março de 2014

Criar parques de recreio públicos para cães

De acordo com a paleoantropóloga Pat Shipman, da Penn State University, existe a teoria de que os cães, gatos e outros animais domésticos tiveram um papel importante na evolução dos seres humanos. O hábito de acolher e conviver com animais estimulou o desenvolvimento de algumas habilidades humanas, tais como a linguagem, a criação de ferramentas e o convívio são em comunidade.
Focando-nos agora mais nos cães, estes são quem tem uma vida mais participativa no quotidiano da população nas mais variadíssimas formas, porque, para além da coabitação comum, requerem cuidados mais específicos e abrangentes que envolvem directamente a participação dos seus responsáveis repercutindo-se de forma transversal na vida dos outros. Com esta implicação tão directa na vida da nossa sociedade, é perceptível que os órgãos autárquicos não estão ainda preparados para a inclusão de canídeos nos espaços sociais do Município e, consequentemente, na vida dos cidadãos, pois não existem condições para essa harmonização conjunta – o que à partida pode parecer paradoxal.

Tal solução está longe de obter o sucesso esperado, pois estas restrições não revertem o problema da saúde pública relacionada com os dejectos de canídeos nem impedem que a qualquer momento nos cruzemos com um cão eufórico. Na verdade, o sistema actual até acaba por incentivar as pessoas a abandonarem os seus cães, aumentando a quantidade de animais que circulam na via pública sem qualquer controlo, o que se reflecte no aumento dos tão indesejados dejectos – pois estes não sabem ler placas nem sinaléticas.Em Almada, existem espaços com elevada envolvente natural, relativamente planeados e preparados para o convívio familiar e social, mas que se encontram totalmente condicionados à presença de animais, apenas por razões de salubridade, os quais apenas podem circular nas vias pedonais específicas e sempre com trela, sendo “forçados” a fazer destas vias os seus sanitários. Neste concelho não existem espaços higiénico-sanitários para cães mas insiste-se no controlo e fiscalização da presença de canídeos nesses locais mediante a aplicação de coimas.
Encontra-se em fase de construção um projecto que terá ligação directa entre o Pragal (Quinta dos Castros) e o Parque da Paz, e deste projecto faz parte a criação de mais um lago para patos. Todavia, e mais uma vez, não está contemplada a criação de um espaço para a livre circulação de cães, nem para os tão necessários sanitários caninos. Estes espaços podem produzir um impacto significativo na qualidade de vida da população local – animais e pessoas – que pode ir desde as relações promovidas pelo convívio entre os tutores e os animais – incluindo pessoas com problemas sociais – aos animais – por potenciar a prevenção de patologias destes – até mesmo às relações entre vizinhos – através da redução do ruído causado pelos animais contidos em apartamentos que são sujeitos a elevados níveis de stress e de ansiedade.
Neste quadro, é imperativo que se proceda à gestão dos espaços verdes existentes com a implementação urgente de parques de recreio públicos para cães e que nos novos projectos esteja sempre contemplada a implementação destes espaços. À semelhança do que existe na maioria dos países europeus, a implementação de espaços de recreio e sanitários públicos para cães, que por sua inerência contribuirão para a promoção de uma sociedade em harmonia, não apenas beneficiará como também valorizará o próprio município, tornando-o como um modelo de boas práticas nesta matéria, diferenciando-o de tantos outros e mantendo-o na vanguarda das necessidades da sua população. O desenvolvimento e a adequação aos mais elevados índices de modernização também passam por aqui e Almada não pode perder o comboio europeu.

Por Célia Feijão, Presidente do Conselho Local de Almada do PAN, in Cidade Informação Regional, Almada, Opinião, 25 mar. 2014 



quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ONDE ESTÃO OS ANIMAIS do Canil Ilegal de Vale Cavala (Charneca de Caparica)?

Canil ilegal de Vale Cavala na Charneca de Caparica

Setembro, 2010

No dia 28/09/2010 o PAN (Partido pelos Animais e pela Natureza) Almada, esteve presente na Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal da Câmara de Almada, onde questionou aquela assembleia acerca de diversos aspectos relacionados com o bem-estar animal no respectivo concelho.



Nesta Sessão, dirigimo-nos àquela Assembleia expondo os seguintes factos:


1) A promoção do bem-estar animal, manutenção e respectivo controlo populacional dos animais errantes no concelho, são também uma responsabilidade social daquela autarquia, estando esta situação correlacionada com a saúde pública;


2) O Canil Municipal de Almada recentemente construído e licenciado, tem capacidade para acolher até cerca de 60 canídeos, estando de momento com a sua lotação esgotada. Num concelho que conta com mais de 160 mil habitantes, é anedótica a existência de um canil com esta capacidade de resposta para assumir o compromisso moral com os seus animais;


3) A Associação de acolhimento de animais errantes, que alberga neste momento mais de 250 animais da espécie canina e para efectuar a sua manutenção, tem sobrevivido da caridade e benevolência daqueles que têm consciência do seu avultado compromisso:

- Foi enfatizado o forte contributo social, que esta Associação tem vindo a efectuar sozinha no concelho de Almada, quer para o bem-estar geral da população deste concelho e respectiva saúde pública, quer para as centenas de animais errantes, doentes e famintos, que tem erradicado da via pública, prestando-lhes os cuidados básicos à sua sobrevivência, de saúde e ainda de controlo populacional.

- Consideramos que deveria aquela autarquia responsabilizar-se parcialmente pelas despesas de manutenção dessa associação, já que esta se encontra devidamente legalizada e está a cumprir um serviço também público, cívico e moral, contribuindo para o bem-estar de toda a população animal humana e animal não humana, inseridas no respectivo concelho, conforme atrás foi referido.


4) Relativamente à questão do Canil Ilegal de Vale Cavala, não pudemos deixar de expressar nesta Assembleia a nossa indignação, tendo sido constatados os seguintes factos:

- Tivemos conhecimento de que este canil existe naquelas instalações desde 2001 aproximadamente e os vizinhos do mesmo, formalizaram uma queixa dirigida à DGV e Câmara Municipal de Almada, alegando a salubridade pública bem como as condições execráveis ali vividas pelos animais. Perante as diversas queixas apresentadas pelos vizinhos, nunca foram tomadas quaisquer medidas pelas respectivas entidades competentes, comportando-se até então com absoluta indiferença à situação;

- Através da Sra. Isabel Cerdeira - pessoa que efectivou nova denuncia a 15 de Setembro, 2010 - tivemos conhecimento de que o foi dado início a novo processo de denuncia, fazendo o caso chegar à DGV, à Câmara Municipal de Almada, à Junta de Freguesia da Charneca de Caparica e ao Veterinário Municipal de Almada. De todos os elementos atrás referidos, este problema somente foi averiguado e acompanhado por um único deputado, o que é deveras lamentável;

- No dia 25 de Setembro de 2010 (Sábado), os meios de comunicação tornaram pública a realidade deste canil, acompanhando o protesto de alguns cidadãos que se reuniram à porta do local e no dia 27 de Setembro (Segunda-feira) o Veterinário Municipal de Almada, dirige-se ao local comunicando o encerramento do referido canil.


Perante o exposto, dirigimo-nos à mesa daquela Assembleia Municipal, à Sra. Presidente da Câmara Municipal, aos Srs. Vereadores e Srs. Deputados, questionando os mesmos pela não tomada de medidas em 2005, quer pela DGV quer pela autarquia de Almada, uma vez que estavam em causa o bem-estar de centenas de animais, bem como a saúde pública?

Efectuando o encerramento do Canil, preocupa-nos agora saber, qual o destino a dar aos animais que ali se encontram, já que o Canil Municipal do concelho, nem a Associação local “Os Amigos dos Animais da Aroeira”, auferem capacidade para acolher estes animais?

Referimos ainda, que a atitude de passividade/indiferença daquela autarquia municipal e da entidade competente administrativa, que somente decidiu tomar providências após a divulgação pública desta situação, procedendo ao encerramento do canil ilegal, é deveras inaceitável, execrável e preocupante.

A nosso entender, a forma como o município e seus munícipes tratam os animais do seu concelho, está directamente correlacionada com a educação cívica moral e a educação pedagógica, que deverá ser iniciado nas escolas.


Ficou a indignação e a questão:

Para quando neste concelho, um projecto o controle e erradicação de animais errantes bem como o investimento em projectos de educação no âmbito atrás referido?

***

Nesta Assembleia Municipal de Almada, também estiveram presentes Isabel Cerdeira, Patrícia Oliveira da Dovska’Pets - Grupo de Ajuda Animal, Leonor Sande, Fernanda Santos e José Manuel Almeida, que deram voz à situação do canil ilegal da Charneca de Caparica, manifestando a sua preocupação quanto ao destino a dar àqueles animais e, solicitando o prolongamento do prazo para a remoção dos animais daquele local, de forma a que seja possível a distribuição de alguns animais em albergues/associações e, outros sejam directamente encaminhados para adopção.

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Em resposta aos munícipes que naquela Assembleia, se manifestaram atentos e preocupados com a situação do canil ilegal de Vale Cavala, o Sr. Vereador Rui Jorge Martins (do pelouro do Ambiente e Salubridade) comunicou aos munícipes o seguinte:

- Havia sido efectuada inspecção, ao referido canil ilegal, pela DGV (Direcção Geral de Veterinária) de Lisboa e Sul do Tejo, Protecção Civil e SEPNA (GNR);

- Decidiu-se proceder ao encerramento do respectivo canil, uma vez que este não se encontrava legalizado e não apresentava as condições mínimas de higiene, saúde e segurança, para albergar quaisquer animais. Face à gravidade da situação e sendo previsível o breve encerramento do canil pela DGV (Direcção Geral de Veterinária) de Lisboa e Sul do Tejo, a Câmara Municipal de Almada, solicitou o apoio dos canis municipais de Évora e Amadora para a recepção dos animais retirados daquele local;

- A Câmara Municipal de Almada iria enviar uma equipa, para proceder à limpeza do terreno, bem como para efectuar o controlo dos animais que foram abandonados nas instalações do canil, prestar-lhes cuidados de saúde e proceder ao controlo e registo de futuros adoptantes, garantindo ainda que nenhum dos animais será abatido ou abandonado;

- Reforçou também, que a DGV (Direcção Geral de Veterinária) de Lisboa e Sul do Tejo, havia tomado conhecimento daquela situação há mais de um ano e meio, e que a Câmara Municipal de Almada de isentou de qualquer responsabilidade sobre o caso;

- Finalizando este assunto, o deputado municipal do Bloco de Esquerda Luís Filipe discursou, informando que o Bloco de Esquerda tomou conhecimento da situação existente no referido canil ilegal e que efectuou uma visita ao referido local a fim de proceder às devidas averiguações. No local, constatou as precárias condições de higiene e manutenção denunciadas onde estabeleceu também um diálogo com o Sr. José Costa (popularmente conhecido por Zé da burra), através do qual apurou que esta situação é cíclica, uma vez que este vende cães da raça Podengo a caçadores, ficando esses animais também sujeitos a condições semelhantes.


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O Drama da Situação actual:



4 de Outubro, 2010


A Dovska’Pets – Grupo de Ajuda Animal e José Manuel, retiraram duas cadelas do canil ilegal de Vale Cavala, na Charneca da Caparica, em Almada, com autorização do senhor José Costa, que foram colocadas no hotel ANIMALVILLE em Palmela.
Nesta data, existiam ainda existem cerca de quarenta animais para retirar do canil – com autorização do Sr. José Costa.
Nesta fase a Dovska’Pets – Grupo de Ajuda Animal, solicita apoio financeiro para a manutenção e prestação de cuidados básicos e de saúde, dos animais que tem vindo a retirar daquele canil.
Pode contribuir monetariamente, utilizando para o efeito o seguinte NIB: 0010 0000 4097 7050 0027 1 (à ordem de Cláudia Sofia Melo Dias da DOVSKA’PETS – Grupo de Ajuda Animal).
Posteriormente envie e-mail para geraldovskapets@gmail.com com o seu nome, montante do donativo e descrição do mesmo (ex.: ração, vacinações, esterilizações, etc).

http://dovskapets.blogspot.com/


19 de Outubro, 2010
Através do Sr. José Almeida, tivemos conhecimento que a Câmara Municipal de Almada esteve nas instalações do canil ilegal de Vale Cavala, na Charneca da Caparica, em Almada, notificando o Sr. José Costa (Zé da burra) que deveria retirar todos os animais do local no prazo de 48 horas.


21 de Outubro, 2010

DESCONHECE-SE O PARADEIRO DOS ANIMAIS DO CANIL ILEGAL DE VALE CAVALA

Na sequência do prazo estabelecido pela Câmara Municipal de Almada – 48 horas - para a remoção dos animais daquele local, tivemos conhecimento de que os animais ali existentes até esta data, foram movidos para parte incerta pelo seu proprietário. Segundo o Sr. José Costa (Zé da burra), os animais estão distribuídos por diversos locais – alegadamente em sua casa e em canis de “amigos”.

É incompreensível a decisão tomada pela Câmara Municipal de Almada, que não cedeu um prazo suficiente para a reinserção dos animais que ali se encontravam, e que certamente se precipitou com esta medida, de forma a “abafar" a opinião pública.

Em conversa com a Patrícia Oliveira da Dovska Pets, existiam ainda no local muitas dezenas de animais para realojar, temendo-se neste momento as condições em que aqueles animais se poderão encontrar.
Mais fotos dos animais em: